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Cansaço e frustração formam filhos saudáveis, diz Alberto Pellai

O psicoterapeuta Alberto Pellai afirma que fadiga e frustração educam melhor que conhecimentos digitais ou IA; novo livro propõe ensinar a lidar com o esforço.

Cansaço e frustração formam filhos saudáveis, diz Alberto Pellai
Foto: Amici di Piero Chiara (CC BY 2.0)

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O psicoterapeuta italiano Alberto Pellai afirmou em entrevista publicada pela ANSA em 19 de outubro de 2026, escrita por Agnese Ferrara (Roma), que fadiga e frustração são instrumentos fundamentais para formar filhos mais saudáveis, contrapondo-se ao foco atual em habilidades digitais e na promessa de soluções imediatas. Pellai defende que ensinar a lidar com o esforço prepara crianças e adolescentes para a vida adulta.

Crítica às práticas parentais atuais — Alberto Pellai, fadiga na educação

Segundo a reportagem da ANSA, Pellai critica práticas parentais que transformaram as gerações mais novas em consumidores passivos de conteúdos e serviços. Ele usa a expressão “ciuccio eletrônico” para descrever dispositivos e soluções que mantêm crianças calmas, mas impedem que aprendam a tolerar o desconforto. Para Pellai, as gerações Alfa e Z foram frequentemente protegidas de frustrações essenciais ao desenvolvimento, recebendo muitas respostas prontas dos adultos.

O psicoterapeuta aponta que essa proteção excessiva gera jovens com maior fragilidade emocional: ansiedade, dificuldade em tolerar a frustração e incapacidade de enfrentar desafios sem apoio constante dos pais. A crítica abrange tanto comportamentos familiares quanto tendências culturais mais amplas, que valorizam o imediatismo e as competências digitais acima da resiliência emocional.

Consequências observadas — frustração e crianças digitais

Pellai observa efeitos concretos na rotina dos adolescentes: muitos passam mais tempo em casa por causa das telas, participam menos de atividades coletivas, esportes e viagens, e têm menos oportunidades de testar limites. A consequência, segundo ele, é uma redução na capacidade de enfrentar a fadiga e o esforço que a vida exige.

Ele também descreve como pais, movidos por proteção e conforto, tendem a remover obstáculos — consertam dificuldades, oferecem recompensas e evitam que a criança experimente o fracasso. Pellai alerta que esse alívio imediato pode ter impactos negativos a médio prazo, ao privar crianças e jovens das experiências necessárias para desenvolver autonomia e confiança.

Obra citada — livro Mondadori e proposta para educar à fadiga

Pellai é autor de best-sellers na Itália e lançou o livro "Ti farò correre in salite. Come e perché educare alla fatica le nuove generazioni", publicado pela Mondadori, que propõe uma metodologia para ensinar o valor do esforço e da resistência. Segundo a ANSA, o livro reúne reflexões teóricas e sugestões práticas para que pais e educadores introduzam tarefas, limites e desafios adequados à idade, promovendo a construção da resiliência.

A proposta não rejeita a tecnologia, mas reivindica um equilíbrio: usar ferramentas digitais sem substituir experiências reais de esforço e superação. Pellai indica atividades simples — esportes, tarefas domésticas, responsabilidades gradativas — como meios para cultivar a capacidade de lidar com a frustração.

Relevância para leitores brasileiros e descendentes de italianos

O debate sobre excesso de proteção parental e o impacto das telas é relevante para pais brasileiros preocupados com o desenvolvimento emocional dos filhos. Leitores de Raízes Italianas, especialmente descendentes de italianos que acompanham pautas da Itália, podem se identificar com a perspectiva de um autor italiano divulgada pela ANSA e aplicada a contextos familiares contemporâneos.

Para quem acompanha notícias sobre educação e vida em outro país, as reflexões de Pellai dialogam com questões que também aparecem no Brasil: como equilibrar uso de tecnologia, criar limites e preparar jovens para desafios profissionais e pessoais. Veja mais sobre temas relacionados em Notícias da Itália e em pautas sobre Vida na Itália.

O que pais podem considerar na prática

  • Introduzir tarefas gradativas e responsabilidades compatíveis com a idade, permitindo que a criança sinta o valor do esforço.
  • Limitar o tempo de tela e incentivar atividades coletivas ou esportivas que envolvam esforço físico e socialização.
  • Evitar resolver todos os problemas dos filhos imediatamente; oferecer suporte emocional enquanto se mantém expectativas realistas.
  • Buscar informações e contextos culturais para adaptar propostas — para quem acompanha assuntos relacionados à cidadania e vida no exterior, ver também Cidadania Italiana pode ser útil para entender dinâmicas familiares transnacionais.

Conclusão A mensagem central de Alberto Pellai, segundo a ANSA, é que fadiga e frustração fazem parte da educação necessária para formar adultos resilientes; sua obra na Mondadori busca oferecer caminhos práticos para que pais e educadores equilibrem proteção e exposição ao esforço.

Fonte: ANSA

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