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Febre do Nilo Ocidental mata 41 na Itália em uma semana

ISS registra salto de mortes por Febre do Nilo Ocidental na Itália: de 26 para 41 em 7 dias, com 594 casos confirmados em 19 regiões.

Febre do Nilo Ocidental mata 41 na Itália em uma semana
Foto: Tanvir Rahat (CC BY-SA 4.0)

O número de mortes por Febre do Nilo Ocidental na Itália saltou de 26 para 41 em apenas uma semana, segundo dados divulgados pelo Istituto Superiore di Sanità (ISS). O aumento acompanha a alta no número de casos confirmados no país, que já soma 594 registros em 19 regiões italianas, reacendendo o alerta sanitário em plena temporada de calor no Hemisfério Norte.

Números do surto

De acordo com o boletim mais recente do ISS, o salto nas mortes — de 26 para 41 em sete dias — representa um dos avanços mais rápidos do surto desde que a vigilância epidemiológica começou a monitorar a doença com mais rigor na Itália. Os casos confirmados também cresceram de forma expressiva: foram 73 novos registros em relação à semana anterior, totalizando 594 infecções identificadas até o momento.

O vírus, transmitido principalmente por mosquitos, já circula em 79 províncias distribuídas por 19 regiões do território italiano, um espalhamento geográfico que preocupa autoridades de saúde pública. A extensão do surto reforça que não se trata mais de um fenômeno localizado, mas de uma circulação viral disseminada em boa parte do país, do norte ao sul.

Quem acompanha as Notícias da Itália tem visto o tema ganhar destaque nos boletins semanais do ISS, que atualiza periodicamente os números de infecção e óbitos ligados à doença.

Gravidade dos casos

Do total de infecções confirmadas, 306 casos evoluíram para a forma neuroinvasiva da doença — a manifestação mais grave da Febre do Nilo Ocidental, que pode afetar o sistema nervoso central e provocar encefalites, meningites e outras complicações neurológicas sérias.

A taxa de letalidade entre os casos neuroinvasivos também subiu, passando de 9,4% para 13,3% na comparação semanal, segundo o ISS. Apesar do aumento, o instituto ressalta que o índice atual ainda está abaixo do registrado no mesmo período do surto de 2025, o que sugere que, embora a situação seja preocupante, ainda não superou a gravidade do ano anterior.

O boletim também identificou cinco casos importados, ou seja, de pessoas que contraíram o vírus fora da Itália e foram diagnosticadas após retornarem ao país. Os casos têm origem em viagens às Maldivas, França, Bélgica, Grécia e Países Baixos, indicando que a circulação do vírus não é exclusividade italiana, mas um fenômeno que também atinge outros destinos frequentados por turistas.

Transmissão e grupos de risco

A Febre do Nilo Ocidental é transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, que se infectam ao picar aves portadoras do vírus e depois transmitem a doença a humanos e outros animais. Não há registro de contágio de pessoa para pessoa por contato comum, o que torna o controle do vetor — o mosquito — a principal estratégia de contenção.

Segundo as autoridades sanitárias italianas, a maioria das infecções é assintomática ou provoca sintomas leves, semelhantes a um quadro gripal, com febre, dores no corpo e cansaço. No entanto, um grupo específico da população corre risco mais elevado de desenvolver a forma grave da doença:

  • Idosos, especialmente acima dos 60 anos;
  • Pessoas imunodeprimidas, incluindo transplantados e pacientes em tratamento oncológico;
  • Portadores de comorbidades, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

É justamente nesse grupo que se concentra a maior parte dos casos neuroinvasivos e dos óbitos registrados pelo ISS nas últimas semanas.

Como se proteger e por que importa para brasileiros

Diante do avanço do surto, as autoridades de saúde italianas reforçam recomendações simples, mas eficazes, de prevenção:

  • Uso de repelentes à base de DEET ou icaridina, principalmente ao entardecer e amanhecer, horários de maior atividade dos mosquitos Culex;
  • Instalação de telas em janelas e portas para impedir a entrada de insetos em residências;
  • Eliminação de água parada em vasos, calhas, pneus e recipientes, que servem de criadouro para os mosquitos;
  • Uso de roupas compridas em áreas com maior incidência de casos, especialmente em zonas rurais e próximas a cursos d'água.

O tema ganha relevância direta para brasileiros descendentes de italianos que viajam ao país para visitar parentes, cuidar de trâmites de Cidadania Italiana ou simplesmente conhecer a terra dos antepassados. Muitas famílias italianas com raízes no Brasil vivem em áreas rurais do norte e do centro do país, justamente regiões onde a circulação do vírus tem sido mais intensa neste surto.

Viajantes que planejam passar temporadas prolongadas na Itália, sobretudo em zonas agrícolas ou próximas a rios e lagos, devem redobrar os cuidados com repelentes e vestimentas, além de ficar atentos a sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço — sinais que podem indicar quadro neurológico e exigem atendimento médico imediato. Quem já vive no país ou pretende se mudar pode encontrar mais orientações práticas sobre o cotidiano italiano na seção Vida na Itália do portal.

O ISS deve continuar divulgando boletins semanais sobre a evolução do surto, e a expectativa é que o número de casos e óbitos siga sendo monitorado de perto até o fim da temporada de maior atividade dos mosquitos, geralmente associada aos meses mais quentes do ano na Europa.

Fonte: Comunità Italiana

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