País de residência influencia risco de câncer na Europa
Estudo apresentado no ESMO 2026 mostra grandes diferenças entre países europeus: câncer cervical e de pulmão variam muito, com milhares de casos em excesso em 2024.

Estudo apresentado no ESMO 2026 aponta que o país de residência tem impacto significativo no risco de câncer na Europa, com diferenças marcantes especialmente para câncer cervical e câncer de pulmão; em 2024, isso correspondeu a 29.412 casos estimados em excesso em Estados‑membros da UE com taxas acima da média comunitária, segundo a ANSA.
Principais achados sobre câncer e desigualdades em saúde
O trabalho mostrou que o risco de tumores varia muito entre países europeus, refletindo diferenças em prevenção, rastreio e acesso a cuidados. Conforme apresentado em Madrid, no Congresso ESMO 2026, os destaques incluem:
- Para o câncer de cérvix, a incidência na Romênia é mais de sete vezes superior à de Malta. Isso evidencia lacunas em programas de rastreamento e cobertura vacinal contra HPV.
- No caso do câncer de pulmão entre mulheres, a Dinamarca registrou taxa mais de quatro vezes maior do que a Lituânia, sinalizando diferenças em prevalência de tabagismo, políticas de controle do tabaco e exposição a fatores ambientais.
- Em 2024, as desigualdades estimadas corresponderam a 29.412 casos em excesso em países da União Europeia cujas taxas ficaram acima da média comunitária, segundo cálculo do estudo.
- Os autores ressaltam que muitos desses casos seriam potencialmente evitáveis com intervenções de prevenção primária (vacinação, controle do tabagismo) e secundária (rastreio efetivo).
As diferenças observadas não se limitam a números: implicam variações nos sistemas de saúde, cobertura de programas, investimento em prevenção e barreiras de acesso a serviços oncológicos.
Estudo e apresentação: metodologia e autores
O trabalho intitula‑se "Impact of cancer inequalities in Europe on preventable cancers: focus on cervical and lung cancer" e foi apresentado no Congresso ESMO 2026, em Madrid. A apresentação ficou a cargo de Diego Serraino, epidemiologista e consultor da Alleanza contro il cancro e da Rete oncologica nazionale do Ministério da Saúde italiano, presidida por Ruggero De Maria, segundo a ANSA.
A análise se baseia nas estimativas de 2024 do European Cancer Information System (ECIS), citadas pela fonte, permitindo comparar incidência e calcular o excesso de casos atribuível às desigualdades entre países. O estudo focalizou especificamente câncer cervical e câncer de pulmão por serem largamente preveníveis por medidas comprovadas: vacinação contra HPV, rastreamento cervical organizado e políticas de controle do tabaco.
Relevância para brasileiros e descendentes na Europa
Para brasileiros e descendentes de italianos que vivem, trabalham ou viajam pela Europa, o estudo tem implicações práticas e informativas:
- As diferenças entre países mostram que onde a pessoa reside importa para o risco de desenvolver câncer prevenível. Isso reforça a importância de conhecer a oferta de programas locais de rastreio e de vacinação.
- Imigrantes e descendentes que se deslocam entre países europeus devem ficar atentos às recomendações de prevenção no local de residência e aproveitar oportunidades de rastreio (por exemplo, exames citológicos/PCR para cérvix) e vacinação contra HPV quando disponíveis.
- A matéria ajuda a contextualizar debates sobre saúde pública na Itália — e em outros Estados‑membros — e pode ser útil para quem acompanha temas relacionados à vida na Europa, cidadania e mobilidade internacional. Veja também conteúdos em Vida na Itália e notícias sobre políticas de saúde em Notícias da Itália. Informações sobre deslocamento e direitos de residentes ligados à saúde podem interessar a quem busca compreender efeitos da mudança de país; consulte também nossas páginas sobre Cidadania Italiana e atualizações em Notícias da Itália.
O que as autoridades e especialistas destacam
Os autores do estudo e especialistas na área de oncologia preventiva enfatizam medidas comprovadas para reduzir as desigualdades:
- Intensificar programas de vacinação contra HPV para reduzir a incidência de câncer cervical.
- Ampliar e organizar rastreios cervicais com cobertura adequada e seguimento de casos positivos.
- Reforçar políticas de controle do tabagismo — taxação, proibição de propaganda e programas de cessação — para reduzir o fardo do câncer de pulmão, sobretudo entre mulheres em países com taxas elevadas.
Segundo a apresentação no ESMO 2026, combinar políticas de prevenção primária e secundária com acesso equitativo aos serviços de saúde é essencial para reduzir os milhares de casos atribuídos às desigualdades observadas.
"A análise baseou‑se nas estimativas de 2024 do European Cancer Information System para quantificar o impacto das desigualdades entre países", conforme a fonte.
Conclusão: o estudo apresentado em Madrid mostra que diferenças nacionais em prevenção e acesso explicam grande parte das variações de incidência de câncer prevenível na Europa. Para brasileiros e descendentes que circulam pelo continente, a recomendação é atenção a vacinas e rastreios e acompanhamento das políticas de saúde locais.
Fonte: ANSA




