Hora solar e o 'jet lag' social: conselhos para dormir melhor
Com o retorno da hora solar (24-25 out.), uma hora a mais não resolve o sono acumulado. Especialistas explicam causas do 'jet lag' social e dão dicas.

Na noite entre 24 e 25 de outubro as lançoletas dos relógios voltarão uma hora para trás, mas especialistas alertam que essa hora adicional raramente resolve o déficit de sono acumulado; a situação, dizem, é mais reflexo de um estilo de vida que mantém grandes parcelas da população em um perene jet lag social, segundo reportagem da ANSA.
O que muda com o retorno da hora solar
Na passagem para a hora solar, ocorrida na madrugada entre 24 e 25 de outubro, os relógios são atrasados em uma hora — teoricamente um ganho de tempo de sono. Porém, como explica a reportagem, essa mudança é apenas um ajuste pontual: a hora extra não apaga semanas ou meses de noites maldormidas. A expectativa de que uma única noite “recupere” a fadiga é, na prática, ilusória para quem acumula déficits de sono prolongados.
Por que vivemos em "perene jet lag"
A ANSA relata que o problema não é o ato de adiantar ou atrasar o relógio em si, mas a rotina diária que cria uma diferença constante entre o relógio social e o relógio biológico individual. Entre os fatores apontados estão:
- despertadores que forçam o despertar antes do corpo estar pronto;
- jornadas com muitos compromissos que comprimem o tempo de sono;
- permanência prolongada em ambientes internos, com pouca exposição à luz natural;
- uso de smartphones até minutos antes de deitar, que reduz a produção de melatonina.
A reportagem também destaca que tentativas de "recuperar" sono apenas nos fins de semana — dormir muito mais no sábado e domingo — promovem a dessincronização do relógio biológico, agravando o sentimento de cansaço crônico, o chamado jet lag social.
Alerta e opinião de especialista
Segundo a ANSA, Vincenzo Tullo, neurologista e especialista em medicina do sono da Doctolib, afirma que "dormir menos do necessário tornou-se norma para muitas pessoas". Tullo interpreta o quadro como o resultado de hábitos sociais e tecnológicos que forçam o corpo a viver fora de sua sincronia natural, criando uma realidade comparável ao jet lag de quem viaja entre fusos horários, embora sem sair de casa.
A análise do especialista reforça que o problema tem dimensão populacional e não se resolve com medidas pontuais; é necessária uma mudança de hábitos e políticas que favoreçam práticas regulares de sono.
Conselhos práticos
A ANSA sumariza recomendações que especialistas em sono, incluindo Tullo, indicam para amenizar o efeito do jet lag social e melhorar a qualidade do sono:
- reconhecer que a mudança do relógio não é suficiente para recuperar sono acumulado;
- manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive aos fins de semana, para preservar a regularidade do relógio biológico;
- limitar o uso de telas (smartphones, tablets, computadores) nas horas que antecedem o sono — a luz azul interfere na produção de melatonina;
- priorizar exposição à luz natural pela manhã e reduzir luzes artificiais intensas à noite;
- criar uma rotina relaxante antes de deitar (leitura, banho morno, respiração controlada) e evitar estimulantes nas horas finais do dia.
Essas medidas são práticas e aplicáveis tanto em contextos diários quanto em situações de ajuste de horário como o retorno à hora solar.
Relevância para brasileiros e descendentes
Mesmo para brasileiros e descendentes que vivem em países que não adotam horário de verão/inverno, o conceito de jet lag social é pertinente. Rotinas estressantes, jornadas longas e uso intensivo de dispositivos afetam a higiene do sono em qualquer país. Dicas sobre regulação de horários, exposição à luz e redução de estímulos noturnos valem para leitores interessados em preservar saúde e produtividade, seja em /vida-na-italia, em informação sobre /cidadania ou acompanhando as /noticias sobre a Itália.
Reconhecer que o problema é sistêmico é o primeiro passo para adotar mudanças que promovam sono reparador e maior bem-estar.
Conclusão: a mudança para a hora solar oferece um alívio pontual, mas especialistas ouvidos pela ANSA lembram que combater o jet lag social exige hábitos diários coerentes com o ritmo biológico — somente assim a hora "a mais" terá efeitos reais sobre o cansaço acumulado.
Fonte: ANSA





