Déficit fica em 3,1% do PIB; Salvini pede scostamento, FI rejeita
Dados do Istat mostram déficit de 3,1% em 2025; governo não sai da infração europeia agora. Salvini quer scostamento e 8 bilhões em caixa; FI resiste.

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O Istat apontou um déficit de 3,1% do PIB para 2025, valor que mantém a Itália acima do limiar necessário para encerrar a procedura di infrazione da União Europeia, segundo dados oficiais e reportagem da ANSA. O resultado renovou tensões internas sobre pedidos de maior gasto público e a estratégia orçamentária do governo.
Resumo dos dados oficiais: déficit 3,1% e implicações
O Instituto Nacional de Estatística (Istat) divulgou o saldo orçamentário consolidado para 2025 em 3,1% do PIB, conforme noticiou a ANSA em 22 de setembro de 2026. Esse patamar não é suficiente para satisfazer as condições exigidas pela Comissão Europeia para tirar a Itália do procedimento por défice excessivo, mantendo o país na rota de supervisão comunitária.
Segundo a ANSA, o número do Istat confirma que o governo não alcançou a redução do déficit esperada para este ano, o que empurra para frente a meta de normalização das contas públicas.
Posição do governo e declaração do ministro
O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, reconheceu a decepção com os dados, afirmando que se havia esperado sair da procedura, mas que o Executivo aceita o resultado com “rammarico”.
“Havia-se esperado sair da procedura; aceitamos o resultado com rammarico”, disse Giorgetti, segundo a ANSA.
Giorgetti também indicou que o objetivo agora é buscar a normalização em 2027, ou seja, levar as contas públicas a níveis aceitáveis para a Comissão Europeia no horizonte de dois anos. A mensagem do ministro foi de contenção orçamentária combinada com a busca por um caminho político-diplomático junto a Bruxelas.
Reações políticas: pedido de Salvini e resistência de Forza Italia
A resposta dentro da coalizão foi imediata e dividida. O líder da Lega e ministro, Matteo Salvini, pediu a abertura de um scostamento orçamentário — uma autorização extraordinária de gasto — argumentando que seu ministério precisa de 8 bilhões de euros em caixa até o fim do ano para pagar obras já realizadas. A reivindicação de Salvini busca liberar recursos para cumprir compromissos de investimento e pagamentos a fornecedores.
Por outro lado, membros de Forza Italia (FI) e fontes parlamentares de Fratelli d'Italia (FdI, off the record) esfriaram a hipótese de autorizar o scostamento, temendo impactos sobre a credibilidade fiscal e sobre a relação com a Comissão Europeia. O deputado de Forza Italia Raffaele Nevi declarou que o governo deve “continuar a gerir com oculatezza i conti pubblici”, alinhando-se à postura mais cautelosa do ministro Giorgetti, segundo a ANSA.
A disputa interna expõe uma tensão clássica entre pressões para aumentar gastos imediatos e o imperativo de manter disciplina fiscal para evitar sanções e preservação da confiança dos mercados.
Opções futuras do governo: negociação com a UE e calendário até 2027
Com o déficit em 3,1%, as opções do governo ficam limitadas, segundo análise política repercutida pela ANSA. Entre as alternativas:
- Tentar uma nova negociação com a União Europeia para obter maior margem de manobra sobre metas de médio prazo, buscando flexibilizações condicionadas a reformas ou medidas específicas.
- Autorizar um scostamento pontual para atender a exigências setoriais (obras, transferências), correndo, porém, o risco de agravar a percepção de insuficiente disciplina fiscal perante Bruxelas.
- Manter medidas de contenção e postergar o calendário de normalização: a janela para a saída da procedura foi adiada para 2027, conforme indicou o próprio governo.
Fontes oficiais e a imprensa (ANSA) registram que não haverá saída antecipada do procedimento, e que a batalha política agora será sobre saldo entre investimentos imediatos e credibilidade fiscal.
Relevância para brasileiros e descendentes de italianos
As decisões sobre o orçamento italiano e a relação com a UE repercutem além das fronteiras: estabilidade econômica e política na Itália influencia o valor do euro, condições para transferências de recursos, e o ambiente para investimentos e negócios. Para brasileiros com laços italianos — seja por cidadania, pensão, propriedades ou comércio —, os desdobramentos podem afetar:
- pagamento de pensões e serviços públicos, caso medidas de austeridade sejam mantidas;
- clima de investimento e mercado imobiliário, se o governo ampliar gastos e houver reação dos mercados;
- procedimentos administrativos que dependem de estabilidade orçamentária e de pessoal em órgãos públicos, com impacto potencial em prazos de serviços como os ligados à cidadania.
Para notícias sobre a evolução política e econômica da Itália, acompanhe a cobertura em Notícias da Itália e análises sobre viver no país em Vida na Itália.
Conclusão O déficit de 3,1% do PIB para 2025, confirmado pelo Istat e noticiado pela ANSA, mantém a Itália sob procedimento de infração e intensifica o confronto interno sobre a necessidade de um scostamento para liberar 8 bilhões solicitados por Salvini. O governo diz buscar a normalização para 2027, enquanto as negociações com a União Europeia e as decisões sobre autorização de gastos deverão definir o rumo econômico e político para os próximos meses.
Fonte: ANSA





