Cultura e História

Kandinsky volta a Roma após 25 anos com mostra inédita

Exposição em Roma reúne mais de 70 obras de Kandinsky vindas do Centre Pompidou, de 15 de setembro a 14 de fevereiro, em palazzo Bonaparte.

Kandinsky volta a Roma após 25 anos com mostra inédita
Foto: Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Roma recebe a partir desta terça-feira, 15 de setembro, a exposição "Kandinsky", a primeira grande mostra dedicada ao pintor russo na capital italiana em mais de 25 anos. A retrospectiva ocupa o palazzo Bonaparte, na Piazza Venezia, e fica aberta ao público até 14 de fevereiro de 2027, segundo a ANSA.

O retorno de Kandinsky a Roma

A última vez que uma exposição de peso reuniu obras de Vassily Kandinsky em Roma foi há mais de duas décadas e meia, de acordo com a ANSA. O retorno do artista à cidade acontece justamente no palazzo Bonaparte, espaço que se tornou um dos principais polos de grandes mostras internacionais na capital italiana nos últimos anos.

A exposição promete atrair tanto o público local quanto turistas que já têm viagens programadas à Itália no período entre setembro e fevereiro, quando o inverno costuma esvaziar um pouco os pontos turísticos mais tradicionais e abrir espaço para o circuito de museus e mostras. Quem acompanha as Notícias da Itália sabe que a agenda cultural do país costuma reservar surpresas justamente nesses meses de baixa temporada.

Mais de 70 obras em exibição

Segundo a ANSA, a mostra reúne mais de 70 obras do artista, organizadas em um percurso cronológico que permite acompanhar toda a trajetória criativa de Kandinsky. A exposição começa pelas primeiras produções figurativas do pintor, ainda ligadas a paisagens e cenas reconhecíveis, e avança até a fase parisiense, quando o artista já havia consolidado sua linguagem abstrata.

Entre os capítulos percorridos pela mostra estão o período em que Kandinsky viveu em Munique, cidade onde desenvolveu boa parte de sua pesquisa sobre cor e forma, e a fase de atuação junto ao grupo Blaue Reiter (Cavaleiro Azul), um dos movimentos mais importantes do expressionismo alemão do início do século 20.

A exposição também aborda a passagem do artista pela Rússia em plena efervescência revolucionária, momento em que Kandinsky esteve envolvido com as instituições culturais soviéticas, e sua atuação posterior como professor na Bauhaus, a influente escola alemã de arte e design. O percurso se encerra com as obras da última fase parisiense, quando o artista já vivia na França.

Parceria com o Centre Pompidou

A vinda de um acervo tão expressivo a Roma foi possível graças a uma parceria com o Centre Pompidou, de Paris, que fechou temporariamente suas portas para obras de restauro, segundo informou a ANSA. Com o museu francês fora de funcionamento, parte relevante de seu acervo de Kandinsky pôde ser emprestada para exposições itinerantes pela Europa.

O acervo do Centre Pompidou dedicado ao artista tem uma história particular: foi preservado e posteriormente doado ao museu parisiense por Nina Kandinsky, viúva do pintor, que ao longo dos anos cuidou da guarda de boa parte da produção do marido. Esse conjunto de obras é hoje considerado uma das coleções mais completas do artista fora da Rússia, e é justamente dele que vem a maior parte das peças expostas em Roma.

Por que interessa a descendentes de italianos

Para brasileiros descendentes de italianos que planejam uma viagem à Itália nos próximos meses, a exposição representa uma oportunidade cultural pouco comum: ver reunidas, em um só espaço, obras de diferentes fases de um dos nomes mais importantes da arte moderna europeia, normalmente dispersas entre museus de países diferentes.

O evento também se conecta a um interesse mais amplo de quem mantém vínculos com a Itália, seja por turismo, por estudo ou por processos de Cidadania Italiana. A vida cultural do país, com sua intensa agenda de exposições, festivais e eventos, é parte do que atrai brasileiros a planejar temporadas mais longas em território italiano, tema recorrente nas coberturas sobre Vida na Itália.

Com entrada por meio de bilheteria no próprio palazzo Bonaparte, a mostra "Kandinsky" deve se consolidar como um dos destaques do calendário cultural romano no período de outono e inverno, reforçando o papel da capital italiana como polo de grandes exposições internacionais de arte.

Fonte: ANSA

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