Cidadania Italiana

Sicília lidera AIRE: 6 regiões somam 3,7 milhões no exterior

Istat revela que Sicília, Lombardia, Veneto, Campania, Lazio e Calabria concentram 58% dos italianos inscritos no AIRE, o registro de residentes fora da Itália.

Stunning aerial view of the harbor and historic town of Castellammare del Golfo, Sicily, Italy.

A Sicília se confirmou como a região italiana com maior número de emigrados registrados no exterior, segundo levantamento do Istat (Istituto Nazionale di Statistica) divulgado pela Italianismo. Seis regiões concentram quase 58% de todos os italianos inscritos no AIRE, o cadastro oficial que rastreia quem mora fora da Itália.

O que é o AIRE e por que importa

O AIRE (Anagrafe degli Italiani Residenti all'Estero) é o registro administrativo que reúne todos os cidadãos italianos que fixam residência fora do território nacional. É a partir desse cadastro que o Istat produz suas estatísticas anuais sobre a diáspora italiana pelo mundo, servindo de termômetro para entender como e para onde os italianos emigraram ao longo das décadas.

Segundo a Italianismo, os dados mais recentes têm como referência o dia 1º de janeiro de 2025 e apontam 6.420.678 pessoas inscritas no AIRE naquele momento. O número inclui tanto italianos nascidos na península quanto descendentes que obtiveram o reconhecimento da cidadania e se registraram no exterior — um detalhe que, como será visto adiante, muda a leitura desses dados.

Ranking das seis regiões líderes

De acordo com o levantamento, a Sicília lidera isolada o ranking regional, com 842.107 inscritos, o equivalente a 13,1% de todo o contingente registrado no AIRE. Logo atrás aparecem Lombardia, Veneto, Campania, Lazio e Calabria, completando a lista das seis regiões com maior presença de residentes fora da Itália.

Juntas, essas seis regiões somam 3.721.848 registros, praticamente 58% do total nacional inscrito no cadastro. O resultado confirma um padrão histórico: regiões do Sul e das ilhas, tradicionalmente marcadas pela emigração em massa ao longo do século 20, continuam figurando entre as que mais têm cidadãos vivendo fora da Itália, ao lado de regiões do Norte com forte tradição migratória, como o Veneto.

Sul e ilhas concentram quase metade da diáspora

Ainda segundo a Italianismo, o Mezzogiorno — como é chamado o conjunto formado pelo Sul da Itália e pelas ilhas de Sicília e Sardegna — responde por 45% de todos os inscritos no AIRE. O dado reforça o peso histórico dessa região nos grandes fluxos migratórios que levaram milhões de italianos para as Américas entre o fim do século 19 e meados do século 20.

A distribuição geográfica dos emigrados, no entanto, não é uniforme. A reportagem aponta que a Sicília concentra parcela relevante de seus inscritos em países da União Europeia, refletindo fluxos migratórios mais recentes dentro do continente. Já Veneto e Lazio mostram presença mais expressiva na América Central e do Sul, ligada a ondas migratórias mais antigas, sobretudo em direção ao Brasil, à Argentina e a outros países latino-americanos.

Relevância para descendentes no Brasil

Para o público brasileiro descendente de italianos, os números do AIRE funcionam como um retrato indireto das próprias raízes familiares. Muitos brasileiros com ascendência na Calabria, na Campania, no Veneto e na Sicília — justamente algumas das regiões que mais aparecem no ranking — podem ter parentes ou ramos familiares refletidos nessas estatísticas, já que o cadastro reúne tanto emigrados originais quanto seus descendentes que regularizaram a situação junto às autoridades italianas.

O dado também reforça a relevância dessas regiões nos processos de busca por cidadania italiana e reconhecimento de ascendência, tema recorrente entre famílias brasileiras que buscam documentar sua linhagem italiana. Quem está nessa jornada geralmente precisa recorrer à busca de certidões na Itália para localizar registros de nascimento, casamento e óbito nos comuni de origem — etapa fundamental para reunir a documentação exigida em qualquer processo de reconhecimento.

Um alerta metodológico

A Italianismo destaca um ponto importante para a correta interpretação dos números: o ranking regional do AIRE reflete a última região de residência do emigrado antes de deixar a Itália, e não necessariamente o local de nascimento da pessoa. Isso significa que alguém nascido em uma região pode aparecer no cadastro vinculado a outra, caso tenha residido ali antes de emigrar.

Mais relevante ainda: segundo dados de fim de 2024 citados pela reportagem, apenas 30,3% dos inscritos no AIRE nasceram efetivamente na Itália. A maioria expressiva do cadastro é composta por descendentes que conquistaram o reconhecimento da cidadania italiana no exterior e se registraram junto aos consulados, sem nunca terem nascido ou vivido na península. O dado evidencia como a diáspora italiana se perpetua há gerações, muito além do movimento migratório original.

Os números do Istat confirmam que a relação da Itália com seus cidadãos no exterior é hoje moldada tanto pela história da grande emigração quanto pelo fenômeno mais recente do reconhecimento de descendência, que segue atraindo milhões de pessoas ao redor do mundo — Brasil incluso — em busca de suas raízes. Para acompanhar outros desdobramentos sobre o tema, o portal Raízes Italianas mantém cobertura permanente em sua seção de Notícias da Itália e de Vida na Itália.

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Fonte: Italianismo

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