Prefeita de Collio é investigada por fraude em cidadania italiana
Mirella Zanini, prefeita de Collio (Brescia), é investigada por suposto esquema de residências fictícias usadas por brasileiros para obter cidadania italiana.

A prefeita de Collio, pequeno município da província de Brescia, no norte da Itália, é uma das dez pessoas investigadas por suspeita de fraude em processos de cidadania italiana envolvendo brasileiros. Mirella Zanini responde a acusações que incluem corrupção, falsidade documental e violação de normas sobre estrangeiros, segundo a Italianismo.
O que aconteceu em Collio
De acordo com a apuração, o Ministério Público investiga um suposto esquema de residências fictícias registradas por dezenas de brasileiros desde 2015 no município de Collio, com o objetivo de solicitar o reconhecimento da cidadania italiana. A prática de declarar domicílio em um endereço sem morar de fato ali é ilegal na Itália e pode configurar falsidade documental quando usada para instruir pedidos junto às autoridades.
Além da prefeita, a investigação também mira funcionários do registro civil e da anagrafe (órgão responsável pelo cadastro de residentes) de Collio e da vizinha Orzivecchi, ambas na região de Brescia. São eles os responsáveis por validar e registrar as informações de residência que, segundo a promotoria, teriam sido usadas de forma fraudulenta para viabilizar os pedidos de cidadania.
Mirella Zanini confirmou ter recebido a comunicação formal sobre a investigação e afirmou publicamente ter agido corretamente no exercício de suas funções. Até o momento, não há condenação no caso, que segue em fase de apuração pelo Ministério Público italiano.
O episódio acende um novo alerta sobre a fiscalização de processos ligados à Cidadania Italiana, especialmente em pequenos municípios do interior da Itália, que nos últimos anos se tornaram destino frequente de descendentes de italianos em busca do reconhecimento da nacionalidade.
Caso semelhante na Sicília
O episódio de Collio não é isolado. Em Agrigento, na Sicília, outras 23 pessoas foram denunciadas por um conjunto de crimes que inclui corrupção, falsidade documental, favorecimento da imigração clandestina e lavagem de dinheiro, conforme relatou a Italianismo.
Nesse caso, a investigação apura o reconhecimento irregular de cidadania por iure sanguinis — o direito à nacionalidade por descendência —, concedido majoritariamente a brasileiros. Ao todo, foram analisados 314 processos de cidadania, e os investigadores apontam que os interessados teriam pago entre 3.500 e 5.000 euros para obter os reconhecimentos de forma fraudulenta.
Como desdobramento da apuração em Agrigento, o responsável por uma agência que intermediava os pedidos foi preso, e uma inspetora da Polícia Local foi suspensa por seis meses de suas funções. As autoridades sicilianas seguem investigando a extensão do esquema e possíveis ramificações em outros municípios da região.
Por que isso importa para descendentes de italianos
Os dois casos, embora apurados por promotorias diferentes e sem ligação comprovada entre si, reforçam uma tendência já observada nos últimos anos: o maior rigor das autoridades italianas na análise de processos de cidadania por iure sanguinis envolvendo brasileiros, público que representa uma parcela expressiva dos pedidos de reconhecimento na Itália.
É importante destacar que as investigações de Collio e Agrigento ainda não resultaram em condenações. Tratam-se de procedimentos distintos, em estágios diferentes, e a responsabilidade individual de cada investigado ainda precisa ser apurada pela Justiça italiana. Ainda assim, episódios como esses tendem a influenciar a forma como consulados, comunes e tribunais avaliam a documentação apresentada por descendentes, sobretudo em casos que envolvem comprovação de residência ou intermediação por agências.
Para quem acompanha o tema, fica o reforço de que fraudes documentais prejudicam não apenas os investigados, mas todo o universo de descendentes que busca a cidadania por vias legítimas, já que casos assim tendem a gerar maior desconfiança e burocracia nos processos legítimos. Quem pretende se mudar para a Itália ou já vive no país também deve redobrar a atenção às normas locais sobre residência e domicílio, temas frequentemente abordados na cobertura de Vida na Itália do Raízes Italianas.
Mais atualizações sobre o andamento das investigações em Brescia e Agrigento devem ser acompanhadas nas seções de Notícias da Itália do portal, à medida que novos desdobramentos forem divulgados pelas autoridades italianas.
Quer saber se você tem direito à cidadania italiana? Fale com uma assessoria especializada.
Fonte: Italianismo





