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Itália tem 931 mil alunos estrangeiros; 38% querem ficar

Fondazione ISMU revela que 11,6% dos alunos italianos não têm cidadania; maioria nasceu na Itália e concentra-se no Norte do país.

Itália tem 931 mil alunos estrangeiros; 38% querem ficar
Foto: cottonbro studio (Pexels)

Um levantamento da Fondazione ISMU, divulgado nesta semana, mostra que a Itália tem 931.323 alunos estrangeiros matriculados nas escolas do país, o equivalente a 11,6% do total de estudantes. O dado chama atenção porque a maioria desses jovens nasceu em território italiano, mas segue sem acesso à cidadania automática — um retrato direto do modelo de concessão por jus sanguinis e das regras restritas de naturalização vigentes no país.

O que revela o levantamento da Fondazione ISMU

De acordo com a Fondazione ISMU, instituto italiano de referência em estudos sobre imigração, os 931.323 alunos sem cidadania italiana representam 11,6% de toda a população escolar do país. O número inclui estudantes de todas as faixas de ensino, da educação infantil ao ensino médio.

O dado mais expressivo, porém, é outro: segundo a fundação, 65,2% desses alunos nasceram na própria Itália. Ou seja, não se trata majoritariamente de crianças que imigraram com as famílias, mas de uma geração que cresceu, foi alfabetizada e vive integralmente dentro do sistema italiano — sem, no entanto, ter direito automático ao passaporte do país onde nasceu.

Essa distinção é central para entender o debate público sobre cidadania na Itália. O modelo italiano segue baseado no jus sanguinis (direito de sangue), o que significa que nascer em solo italiano não garante, por si só, a nacionalidade. Quem quiser entender melhor os critérios de concessão de cidadania a descendentes de italianos pode consultar a seção de Cidadania Italiana do Raízes Italianas.

Planos dos jovens estrangeiros: ficar, sair ou voltar

A pesquisa da Fondazione ISMU também ouviu estudantes do ensino médio sobre seus planos de vida. Segundo o levantamento, 37,9% dos alunos estrangeiros pretendem permanecer na Itália no futuro. Um contingente próximo, de 30,5%, afirma que pensa em viver em outro país — não necessariamente o de origem da família. Já apenas 7,9% cogitam retornar ao país de origem dos pais ou avós.

Os números indicam que a maioria desses jovens não enxerga a terra de origem familiar como destino provável, mesmo mantendo vínculos culturais com ela. A Itália aparece como base de vida consolidada para boa parte dos entrevistados, ainda que o acesso à cidadania siga sendo um obstáculo burocrático relevante. Mais detalhes sobre o cotidiano de imigrantes e ítalo-descendentes no país podem ser acompanhados na seção Vida na Itália.

Diferenças no ensino técnico, profissional e universitário

O levantamento da Fondazione ISMU aponta ainda diferenças no perfil educacional entre alunos estrangeiros e italianos. Segundo os dados, os estudantes estrangeiros concentram-se mais em institutos técnicos e profissionais, com presença proporcionalmente menor nos liceus — trajetória tradicionalmente associada à preparação para o ensino universitário na Itália.

Essa diferença se reflete nas expectativas futuras: de acordo com a pesquisa, 44,5% dos alunos estrangeiros pretendem cursar universidade, contra 57,8% dos estudantes italianos. A fundação associa essa disparidade a fatores como a orientação escolar recebida ao longo do percurso educacional e as condições socioeconômicas das famílias imigrantes, que muitas vezes direcionam os filhos para formações voltadas à entrada mais rápida no mercado de trabalho.

Concentração geográfica no Norte da Itália

Segundo a Fondazione ISMU, mais de 65% dos alunos estrangeiros matriculados nas escolas italianas estudam em regiões do Norte do país, com destaque para a Lombardia, que concentra o maior contingente entre todas as regiões italianas.

Essa distribuição geográfica confirma um padrão histórico da imigração na Itália, que tende a se concentrar em polos industriais e econômicos do Norte, onde a oferta de emprego é maior. Para brasileiros descendentes de italianos que acompanham as mudanças no perfil migratório do país, o dado ajuda a contextualizar tanto a realidade social italiana atual quanto o pano de fundo das discussões sobre reformas nas regras de cidadania — tema que tem gerado debates recentes envolvendo tanto imigrantes quanto descendentes que buscam reconhecimento por ascendência.

Quem quiser acompanhar outros desdobramentos sobre o tema pode conferir a cobertura completa em Notícias da Itália.

Considerações finais

Os números da Fondazione ISMU escancaram um paradoxo do sistema italiano: quase um milhão de estudantes cresce, estuda e planeja o futuro dentro da Itália sem ostentar a cidadania do país onde nasceu ou foi criado. Enquanto o debate sobre naturalização de imigrantes segue em aberto no Parlamento italiano, famílias descendentes de italianos que buscam o caminho inverso — o reconhecimento da cidadania por ascendência — também enfrentam processos cada vez mais criteriosos, especialmente após as mudanças recentes na legislação.

Para quem pretende iniciar o levantamento documental necessário, contar com apoio na busca de certidões na Itália pode facilitar etapas que costumam travar o processo. E para orientação sobre elegibilidade e estratégia processual, vale buscar uma assessoria especializada em cidadania italiana.

Fonte: Italianismo

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