Itália conquista 50 vagas no ERC e cria ponte com o Brasil
ERC premia 50 pesquisadores italianos com €75 milhões; FAPESP tem parceria que permite brasileiros integrarem equipes europeias financiadas.

O Conselho Europeu de Pesquisa (ERC) anunciou os vencedores do Starting Grant 2026, e a Itália teve 50 pesquisadores selecionados, o segundo maior contingente nacional entre os 421 premiados em toda a Europa. O resultado, no entanto, escancara um problema conhecido do país: a maior parte desses talentos italianos não trabalha mais em instituições da própria Itália.
O anúncio do Conselho Europeu de Pesquisa
O ERC divulgou a lista de 421 vencedores do Starting Grant 2026, com orçamento total de € 705 milhões destinados a financiar projetos de pesquisadores em início de carreira. A Itália ficou com 50 bolsas, somando € 75 milhões, atrás apenas da Alemanha, que teve 84 pesquisadores contemplados.
O Starting Grant é uma das principais linhas de financiamento do ERC, voltada a cientistas que concluíram o doutorado há relativamente pouco tempo e querem estruturar suas próprias linhas de pesquisa. A seleção é considerada uma das mais disputadas da ciência europeia, e o desempenho italiano no ranking por país reforça a reputação de seus pesquisadores — mesmo que boa parte deles não esteja mais atuando em solo italiano.
O paradoxo da fuga de cérebros italiana
O dado mais chamativo do anúncio é que, dos 50 pesquisadores italianos premiados, apenas 22 estão vinculados a instituições da própria Itália. Os demais 28 desenvolvem seus projetos em universidades e centros de pesquisa de outros países europeus, um retrato direto da dificuldade histórica da Itália em reter seus talentos científicos.
O fenômeno, conhecido como "fuga de cérebros", não é novidade no país, mas o resultado do ERC Starting Grant 2026 torna o problema mensurável: mais da metade dos cientistas italianos premiados construiu carreira fora de casa, em países que oferecem melhores condições salariais, mais recursos para laboratórios e processos de contratação mais ágeis nas universidades.
Para quem acompanha as Notícias da Itália, o dado se soma a um debate recorrente sobre investimento público em ciência e sobre a capacidade das universidades italianas de competir por pesquisadores com instituições da Alemanha, França e países nórdicos.
Como funciona o Starting Grant
O Starting Grant do ERC pode chegar a € 1,5 milhão por pesquisador, distribuídos ao longo de até cinco anos, valor destinado à formação de uma equipe própria e à execução do projeto de pesquisa proposto. Há ainda um incentivo adicional: pesquisadores que decidem se mudar para um país da União Europeia ou associado ao programa podem receber até € 2 milhões extras, voltados especificamente à montagem de laboratórios e à estruturação da infraestrutura necessária para o trabalho.
Segundo o ERC, a edição 2026 recebeu 4.807 propostas, um aumento de 22% em relação à chamada anterior, o que resultou em uma taxa de aprovação de apenas 8,8% — reforçando o caráter altamente competitivo do financiamento.
A ponte com pesquisadores brasileiros
Um ponto pouco divulgado é que o ERC não restringe a nacionalidade dos pesquisadores que podem integrar equipes financiadas pelo programa. A única exigência é que o projeto seja executado em um país da União Europeia ou em um Estado associado ao programa de pesquisa europeu. Na prática, isso abre espaço para que cientistas brasileiros participem de projetos vencedores, desde que vinculados a uma instituição elegível.
Foi nesse contexto que a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e o CONFAP (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) lançaram, em maio, uma chamada para 2026 voltada à mobilidade de pesquisadores paulistas junto a equipes já financiadas pelo ERC. A iniciativa prevê estágios de até 12 meses em grupos de pesquisa europeus contemplados pelo conselho, com prazo de inscrição prorrogado até 10 de agosto e resultados esperados a partir de outubro.
A chamada representa uma via concreta de inserção internacional para pesquisadores brasileiros, que passam a ter acesso a laboratórios e equipes financiadas com recursos de um dos programas de ciência mais respeitados do mundo, sem depender de vínculo empregatício direto com instituições europeias.
Cooperação Brasil-Itália em ciência
A relação entre a Itália e a comunidade científica brasileira não se limita ao ERC. A FAPESP mantém um acordo de cooperação com o CNR (Consiglio Nazionale delle Ricerche), o principal órgão público de pesquisa da Itália, responsável por coordenar institutos e projetos científicos em áreas que vão da física à biomedicina.
O acordo entre as duas instituições foi renovado em 2023 e é válido até julho de 2029, financiando projetos conjuntos entre pesquisadores paulistas e italianos. A parceria se soma a outras iniciativas de intercâmbio científico entre os dois países, que têm se intensificado nos últimos anos, especialmente diante da procura crescente de pesquisadores brasileiros — muitos deles descendentes de italianos — por oportunidades de trabalho e formação na Europa.
Para brasileiros que pensam em se estabelecer na Itália a partir de vínculos acadêmicos ou familiares, vale lembrar que os caminhos legais de permanência no país são distintos dos trâmites de pesquisa: quem busca residência por meio de ascendência italiana deve procurar informações atualizadas sobre Cidadania Italiana, enquanto quem se muda por outros motivos pode consultar conteúdos sobre Vida na Itália para entender rotina, documentação e adaptação no país.
Quem já está avaliando o reconhecimento da cidadania italiana pode contar com apoio de uma assessoria especializada em cidadania italiana e, quando necessário, recorrer a serviços de busca de certidões na Itália para reunir a documentação exigida no processo.
O resultado do ERC Starting Grant 2026 reforça a força da ciência italiana no cenário europeu, mas também expõe as fragilidades internas que empurram pesquisadores para fora do país. Ao mesmo tempo, abre uma janela de oportunidade concreta para cientistas brasileiros, que agora contam com programas estruturados de mobilidade para integrar equipes financiadas por um dos maiores conselhos de pesquisa do mundo.
Fonte: Comunità Italiana




