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Exportações da Itália ao Mercosul sobem 21,1% em maio de 2026

Itália exportou € 745 milhões ao Mercosul em maio, alta de 21,1%. Brasil lidera com € 582 milhões, no 1º mês do acordo UE-Mercosul.

Exportações da Itália ao Mercosul sobem 21,1% em maio de 2026
Foto: Ilustração

As exportações italianas para os países do Mercosul somaram € 745 milhões em maio de 2026, um crescimento de 21,1% em relação ao mesmo mês de 2025. Os dados, divulgados pelo Istat e comentados pela Confindustria, correspondem ao primeiro mês completo de aplicação provisória do Acordo Comercial Interino entre a União Europeia e o Mercosul, em vigor desde 1º de maio.

Números do crescimento em maio

O salto nas exportações italianas ao bloco sul-americano chamou atenção justamente por coincidir com a entrada em vigor do acordo comercial. Ainda assim, tanto o Istat quanto a Confindustria fazem uma ressalva importante: um único mês de dados não é suficiente para atribuir o resultado diretamente aos efeitos do acordo. Variações sazonais, contratos fechados antes da vigência das novas regras e oscilações cambiais também podem ter influenciado o número.

De qualquer forma, o volume de € 745 milhões representa um dos melhores resultados mensais da Itália com o Mercosul nos últimos anos, segundo o levantamento. A expectativa de analistas ouvidos pela imprensa italiana é que os próximos meses tragam mais clareza sobre se a alta é um ponto fora da curva ou o início de uma tendência mais consistente.

Brasil concentra a maior parte das vendas

Do total exportado pela Itália ao Mercosul em maio, o Brasil respondeu por € 582 milhões, o equivalente a cerca de 78% de tudo o que o país europeu vendeu ao bloco. As vendas italianas ao mercado brasileiro cresceram 22,3% na comparação anual, consolidando o Brasil como o principal parceiro comercial da Itália na América do Sul.

Uruguai e Paraguai registraram as maiores variações percentuais no período, embora partindo de bases de comparação muito menores que a brasileira, o que naturalmente amplia o efeito estatístico de qualquer crescimento absoluto. Já a Argentina teve desempenho mais discreto, com alta de apenas 0,6% nas exportações italianas para o país, um resultado que destoa do restante do bloco e que deve ser acompanhado nos próximos boletins.

O que muda com o acordo comercial

O Acordo Comercial Interino entre União Europeia e Mercosul prevê a redução gradual de tarifas alfandegárias, novas regras de origem para produtos comercializados entre os blocos, medidas de facilitação aduaneira e maior acesso recíproco a bens, serviços e compras públicas.

No setor de máquinas e equipamentos, um dos mais relevantes para a pauta exportadora italiana, tarifas que hoje variam entre 14% e 20% começam a ser eliminadas de forma gradual, conforme cronograma previsto no texto do acordo. Já o setor automotivo teve tratamento diferenciado: veículos elétricos e híbridos passaram a contar com corte imediato de tarifas, medida que deve favorecer fabricantes italianos com forte presença nesse segmento.

O acordo prevê ainda cronogramas específicos por setor, com prazos que variam de imediatos a escalonados ao longo de vários anos, segundo o texto oficial do acerto comercial.

Essas mudanças fazem parte de um movimento mais amplo de aproximação econômica entre Roma e os países sul-americanos, que já vinha sendo discutido em encontros bilaterais ao longo dos últimos meses. Quem acompanha as notícias da Itália tem visto o tema ganhar espaço na agenda diplomática italiana com frequência crescente.

Próximos passos e relevância para o Brasil

Para a Confindustria, os números de maio representam um início favorável, mas a entidade evita comemorações antecipadas e afirma que pretende acompanhar de perto os resultados dos próximos meses antes de confirmar qualquer tendência de crescimento sustentado no comércio com o Mercosul.

Nesse contexto, ganha relevância a missão empresarial italiana prevista para ocorrer entre os dias 7 e 11 de setembro, com passagem por Brasil e Argentina. Como já noticiado em Tajani volta ao Brasil na próxima semana, a viagem busca ampliar as relações econômicas entre a Itália e os dois países sul-americanos, em meio ao momento de expectativa gerado pelo acordo UE-Mercosul.

Para a comunidade ítalo-brasileira, um comércio mais intenso entre Itália e Brasil pode se traduzir em mais investimentos, maior variedade de produtos italianos disponíveis no mercado brasileiro e novas oportunidades de negócios entre empresas dos dois países. O tema também dialoga com o interesse crescente de brasileiros por assuntos ligados à Itália, que vai da cidadania italiana até curiosidades sobre a vida na Itália.

Quem já possui vínculos familiares na Itália e avalia buscar o reconhecimento da cidadania pode contar com o apoio de uma assessoria especializada em cidadania italiana, além de serviços de busca de certidões na Itália para reunir a documentação necessária ao processo.

Os dados de maio indicam um momento de aproximação comercial entre Itália e Mercosul, mas o cenário ainda depende da confirmação nos próximos meses e dos desdobramentos da missão empresarial que percorre Brasil e Argentina em setembro. A expectativa de empresários e autoridades italianas é que o acordo interino sirva de base para uma relação comercial mais robusta e duradoura entre os dois blocos.

Fonte: Italianismo

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