347 mil italianos aposentados no exterior; 4 mil em Portugal
Levantamento do Istat mostra que 347 mil aposentados italianos vivem fora da Itália; 54% na Europa, com Portugal somando cerca de 4 mil pensionistas.

Um levantamento do Istat, o instituto de estatística da Itália, mostra que 347 mil cidadãos italianos aposentados vivem fora do país, recebendo algum tipo de tratamento previdenciário pago pela Itália. Os dados têm como referência 31 de dezembro de 2024 e revelam também que Portugal já reúne cerca de 4 mil desses pensionistas.
O que revela o levantamento do Istat
De acordo com o Istat, os 347 mil aposentados italianos espalhados pelo mundo representam uma fatia relevante da diáspora italiana que optou por manter a vida fora do território nacional mesmo na terceira idade. O levantamento considera cidadãos que recebem algum benefício previdenciário italiano — seja aposentadoria por tempo de contribuição, pensão por idade ou outros tipos de tratamento assistencial pago pelo sistema italiano.
Segundo os números do instituto, a distribuição geográfica desses aposentados é bastante concentrada: 54% vivem na Europa, o que corresponde à maior parcela do grupo. As Américas vêm em seguida, com 39,6% dos pensionistas, reflexo direto dos grandes fluxos migratórios italianos para países como Argentina, Brasil, Estados Unidos e Canadá ao longo do século 20. O restante — uma fração bem menor — está distribuído entre Oceania, África e Ásia.
Esses números confirmam uma tendência já observada em outros levantamentos ligados às Notícias da Itália: a diáspora italiana segue ativa, e parte considerável dela envelhece fora do país de origem, mantendo vínculo financeiro com a Itália por meio da previdência.
Portugal entre os destinos europeus
Dentro do continente europeu, o Istat aponta a Espanha como líder absoluto, com cerca de 13 mil aposentados italianos vivendo no país. Portugal aparece na sequência, com aproximadamente 4 mil pensionistas italianos residentes, consolidando-se como um dos destinos preferidos para quem busca clima ameno, custo de vida competitivo e proximidade cultural com a Itália.
Outros países europeus também concentram números relevantes de aposentados italianos, segundo o levantamento do Istat. A Tunísia, a Croácia e a Romênia aparecem entre os destinos com presença significativa desse público, cada um refletindo diferentes ondas históricas de emigração ou movimentos mais recentes ligados à aposentadoria no exterior.
O caso português, no entanto, chama atenção por representar uma tendência mais contemporânea, ligada não a fluxos migratórios antigos, mas a decisões de vida tomadas já na aposentadoria.
Quem são esses aposentados
O levantamento do Istat também traça um perfil sociodemográfico desse grupo. Cerca de 72% dos aposentados italianos no exterior — o equivalente a aproximadamente 250 mil pessoas — nasceram na própria Itália, e a maioria desse contingente é formada por homens. São pessoas que, em algum momento da vida, emigraram e decidiram permanecer fora do país mesmo após se aposentar.
Já os 28% restantes nasceram fora da Itália. Nesse grupo, o perfil se inverte: as mulheres representam 62% dos aposentados. Segundo o Istat, esse segmento inclui descendentes de famílias ligadas à antiga emigração italiana, muitas vezes netos ou bisnetos de italianos que deixaram a Itália há décadas e que, por meio de vínculos previdenciários ou de trabalho formal na Itália, acabaram acumulando direito a algum tipo de benefício.
Esse dado dialoga diretamente com o universo de descendentes de italianos espalhados pelo mundo, incluindo o Brasil, e reforça como as questões relacionadas à Cidadania Italiana seguem entrelaçadas à história migratória do país, ainda que o levantamento do Istat trate especificamente de aposentadoria, não de reconhecimento de cidadania.
Por que escolhem viver fora da Itália
Entre os fatores que explicam a opção de tantos italianos por passar a aposentadoria fora do país, o Istat cita o custo de vida mais baixo em diversos destinos, a qualidade de vida oferecida por certas regiões e questões fiscais que podem tornar a aposentadoria no exterior financeiramente mais vantajosa. A proximidade de filhos e netos que já haviam emigrado anteriormente também é apontada como motivação relevante, especialmente entre os aposentados nascidos fora da Itália.
No caso específico de Portugal, o regime fiscal dos Residentes Não Habituais (RNH) teve papel importante para atrair aposentados estrangeiros, incluindo italianos, ao longo da década passada. O programa oferecia condições tributárias favoráveis para quem transferia residência fiscal para o país. Esse regime, no entanto, foi revogado para novas adesões a partir de 2024, o que já vinha alterando o fluxo de novos pedidos, ainda que quem já usufruía do benefício tenha mantido direitos adquiridos conforme as regras de transição estabelecidas pelo governo português.
Essas mudanças no cenário fiscal europeu tendem a influenciar as próximas edições de levantamentos como o do Istat, especialmente no que diz respeito à atratividade de Portugal frente a outros destinos para quem planeja a vida na Vida na Itália — seja permanecendo no país ou avaliando alternativas de aposentadoria no exterior.
Os dados divulgados pelo Istat ilustram como a relação entre Itália e sua diáspora permanece viva mesmo décadas após os grandes fluxos migratórios do século passado, e como o Estado italiano continua sustentando obrigações previdenciárias para cidadãos — e seus descendentes com vínculo formal — que hoje vivem em praticamente todos os continentes.
Fonte: Italianismo




