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Células sanguíneas de idoso transformadas em neurônios jovens

Células sanguíneas de um paciente de 80 anos foram reprogramadas em células-tronco neurais com idade molecular <20 anos e geraram neurônios, diz estudo.

Células sanguíneas de idoso transformadas em neurônios jovens
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Células sanguíneas de um paciente de 80 anos foram reprogramadas em células-tronco neurais com idade molecular inferior a 20 anos e geraram neurônios, segundo estudo publicado na revista Aging Cell por pesquisadores da Universidade e do Hospital Universitário de Bonn, na Alemanha, informa a ANSA.

Resumo do estudo — células sanguíneas transformadas em neurônios jovens

Pesquisadores de Bonn retiraram amostras de sangue de um homem de 80 anos e, a partir dessas amostras, conseguiram reprogramar precursores de glóbulos vermelhos em células-tronco neurais cuja idade molecular foi estimada em menos de 20 anos. A partir dessas células-tronco, os cientistas diferenciaram neurônios funcionais em laboratório, relata a ANSA citando Oliver Brüstle, diretor do Instituto de Neurobiologia Reconstrutiva da Universidade de Bonn.

O trabalho, publicado na revista científica Aging Cell, demonstra que é possível obter um perfil molecular de juventude em células do sistema nervoso a partir de uma fonte de fácil acesso — o sangue — mesmo quando o doador tem idade avançada. Segundo Brüstle, o procedimento não apenas gerou células com assinaturas moleculares de idades muito menores, mas também permitiu a formação de neurônios a partir desse material reprogramado.

Método utilizado — reprogramação celular e cocktail de fatores de transcrição

Os autores aplicaram um cocktail de fatores de transcrição que muda a leitura das instruções genéticas das células, promovendo a conversão direta de precursores de eritrócitos em células-tronco neurais. Oliver Brüstle é citado pela ANSA explicando que o método altera programas de expressão gênica e epigenéticos, conduzindo ao que os pesquisadores descrevem como um rejuvenescimento molecular.

Diferentemente da reprogramação que passa por um estado pluripotente (como as células-tronco pluripotentes induzidas, iPSCs), o protocolo usado em Bonn converte diretamente células de linhagem hematopoiética em progenitores neurais, encurtando etapas e reduzindo riscos associados à pluripotência. A pesquisa combinou análises de expressão gênica, marcações epigenéticas e testes de funcionalidade neuronal para avaliar tanto a idade molecular quanto a capacidade das células em formar neurônios.

Implicações e relevância — envelhecimento molecular e modelos de estudo

Os autores destacam que o processo de rejuvenescimento observado foi lento, o que transforma esse modelo em uma ferramenta útil para investigar os mecanismos que aceleram ou retardam o envelhecimento molecular. Um ritmo de rejuvenes-cimento gradual permite acompanhar mudanças ao longo do tempo e testar intervenções farmacológicas ou genéticas que possam modular trajetórias de envelhecimento celular.

Para a comunidade científica e o público brasileiro interessado em biotecnologia, neurociência e pesquisa sobre envelhecimento, o modelo desenvolvido em Bonn pode oferecer um sistema prático para:

  • estudar fatores moleculares que regulam a juventude ou a senescência em células neurais;
  • testar medicamentos ou compostos que influenciam a idade epigenética das células;
  • gerar neurônios humanos a partir de amostras sanguíneas para estudos de doenças neurodegenerativas.

A abordagem também facilita amostragens em populações maiores, já que o sangue é mais acessível que biopsias cerebrais. Isso pode interessar pesquisadores em universidades brasileiras e centros que trabalham com modelos celulares de doenças neurológicas.

Limitações e próximos passos

Os próprios autores reconhecem limitações: o rejuvenescimento molecular demonstrado em células em cultura não significa que o mesmo efeito ocorra em tecidos inteiros ou em organismos. Além disso, a tradução para aplicações clínicas dependerá de validações extensas sobre segurança, estabilidade do fenótipo rejuvenescido e funcionalidade dos neurônios obtidos em contexto terapêutico.

Os próximos passos incluem explorar os mecanismos que tornam o processo lento, identificar vias moleculares críticas para o controle da idade epigenética e testar se intervenções específicas podem acelerar ou estabilizar o rejuvenescimento sem comprometer a integridade celular.

Relevância jornalística e para leitores do Raízes Italianas

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Fonte: ANSA

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